A religião judaica é uma das mais conhecidas do mundo, envolta em rituais bastante diferentes da religião católica, principalmente no que diz respeito ao casamento. Entre a escolha do vestido de noiva, dos acessórios do fato do noivo e toda a preparação que antecede o grande dia, existe uma série de diferenças relativamente ao casamento católico, que vale a pena conhecer. Além da troca de alianças de casamento, ou mesmo o momento do corte do bolo de casamento, que diferem muito e que podem tornar o vosso dia único. Se um dos dois é judeu e decidiram casar seguindo as tradições da religião judaica, ou apenas por têm curiosidade de saber mais sobre este tipo de casamento, chegaram ao artigo certo. Preparamos uma cronologia com tudo o que devem saber sobre o casamento judeu, e em como os noivos desta religião vivem este dia mais que especial. As tradições são surpreendentes, por isso, continuem a ler.

A preparação antes do casamento

A escolha do vestido: Este é, provavelmente, um dos pontos mais comuns em relação ao casamento religioso, já que, por norma, o vestido da noiva também é branco. Nos dias de hoje, esta também tem liberdade para escolher um modelo com o qual se identifique, podendo optar por um vestido de noiva renda ou por outro estilo. No que diz respeito ao noivo, este deve usar um kitel branco por cima do seu fato, uma espécie de manta ou lençol que o abençoará no momento do sim.

Troca de presentes: Ainda antes do casamento, os noivos devem fazer a sua troca de presentes. Neste momento – e já de anel de compromisso no dedo – a noiva dá ao noivo um talit (um xaile de orações judeu) e o noivo dá à noiva um par de castiçais. Este é um costume antigo que dura até aos dias de hoje.

Uma semana antes: No casamento religioso, a semana que antecede o casamento é de grande azáfama, entre os últimos preparativos com as prendas de casamento originais para os convidados ou outros detalhes decorativos. No entanto, na religião judaica, os noivos não se devem ver na semana anterior ao grande dia. Tal faz com que expetativa e as saudades aumentem, como se vissem pela primeira vez no grande dia, onde são tratados como rei e rainha por todos.

No dia do casamento: No dia do casamento, os noivos fazem jejum – desde o nascer do sol até ao fim da cerimónia. Este é um ritual sagrado da religião judaica e que serve para purificar o corpo e a alma, com atos de bondade, orações e uma profunda reflexão espiritual. Uma espécie de preparação para o casamento onde, segundo a religião, ambos são perdoados de todos os seus pecados, podendo iniciar a vida de casados livres de qualquer pecado que cometeram anteriormente a subirem ao altar.

Durante a cerimónia

A tradição do Chuppah: A ser possível, a cerimónia judia deve ser celebrada a céu aberto, no Chuppah, uma espécie de tenda que é uma representação daquele que será o novo lar do casal. O Chuppah é uma proteção que representa que os dois terão um casamento abençoado e harmonioso. Este ritual é sempre celebrado por um rabino, que dará a bênção aos recém-casados.

A tradição do Quipá: Durante o casamento, tanto o noivo como os convidados devem usar quipá. Trata-se do mítico chapéu que se coloca na nuca durante a cerimónia e que representa a fé e o respeito por Deus, que está acima de todas as coisas. As convidadas não têm de usar nenhuma veste especial, podendo optar livremente pelo vestido de gala comprido que preferirem.

A entrada do noivo: Tal como no casamento religioso, o noivo entra primeiro e acompanhado pelos pais. No casamento judeu, o noivo é visto como Deus – motivo pelo qual também usa o Chuppah – e, segundo o Antigo Testamento, consta que Deus apareceu na montanha e esperou pelo povo de Israel. Por outro lado, e porque o casamento só acontece com o consentimento da mulher, justifica a chegada da noiva depois do noivo, como prova de que aceita e deseja a união.

A entrada da noiva: Uma vez mais, e tal como no casamento religioso, a entrada da noiva é um dos momentos mais especiais da cerimónia. É o momento em que todos olham em detalhe para o vestido e apreciam o seu penteado apanhado, já que, uma vez que esta chegue ao altar – de rosto destapado – o noivo cobre-o com um véu antes de que entrem no Chuppah.

A tradição das sete voltas: No início da cerimónia, a noiva e os pais dão sete voltas à volta do noivo. Esta é uma referência aos sete dias da criação do mundo. Assim que o ritual termina, a noiva fica ao lado do noivo, e também este gesto tem um significado no casamento judeu: significa que a noiva sempre estará ao seu lado, independentemente dos momentos menos bons que possam vir a viver no futuro.

A troca das alianças de casamento: A troca das alianças é um dos pontos mais alto da celebração judaica, já que representa um ato santo. A partir do momento em que o noivo coloca a aliança de casamento no dedo da noiva, já se consideram marido e mulher. Uma das diferenças relativamente ao casamento católico, é que aliança deve ser colocada na mão mais forte da noiva, independentemente se é na mão esquerda ou direita. Por outro lado, e sendo que na religião judaica, este anel representa poder, autoridade e proteção, a aliança representa um círculo incondicional e inquebrável, que unirá o casal para sempre.

O momento em que o noivo parte o copo: Este é um dos rituais mais famosos do casamento judaico – equiparado ao momento em que cortam a primeira fatia de um bolo de casamento original – e tem muito significado durante a cerimónia. Depois da troca das alianças, faz-se silêncio total para que o noivo possa partir o copo com o pé direito, em homenagem à destruição do Templo de Jerusalém, representando a reconstrução e simbolizando a mortalidade humana. O vidro é envolvido num lenço forte ou em prata, e assim o noivo pode parti-lo com segurança.

Depois da cerimónia

Mazel Tov, a saudação que celebra a união: Sabendo que tudo gira principalmente à volta da cerimónia, uma vez cumpridos todos os rituais, os noivos gritam “Mazel Tov”, que significa “boa sorte” em hebraico. Não existe o tradicional arroz do casamento religioso, mas os abraços e os votos de felicidade dados pelos convidados não ficam de fora.

Os votos de felicidade eterna: Segundo a organização judaica Chabad, o casamento é como uma planta, que deve ser regada e cuidada todos os dias. Como? Através de valores tão nobres como o respeito, o carinho, o amor e o cumprimento de tudo o que prometeram no altar. Depois da cerimónia e antes da comida, todos os convidados abraçam e felicitam os noivos, para que sejam felizes para sempre.

Agora que já sabem quais os principais rituais praticados no casamento judeu, podem incluí-los no vosso dia de sonho. Se têm religiões diferentes, devem pensar muito bem no tipo de casamento que querem celebrar, já que, se quiserem casar de forma religiosa, uma das partes tem de se converter à religião do outro. Fora isso, existem detalhes que se aplicam a todos os tipos de enlaces, como a entrega dos convites de casamento, ou mesmo das lembrancinhas de casamento. Será um dia mágico. Mazel Tov!