Pior fornecedor de sempre
A nossa experiência com a MaxiDream
Esperámos algum tempo antes de escrever esta avaliação, porque queríamos fazê-lo de cabeça fria e de forma factual.
Não o fazemos devido a um episódio isolado, nem porque esperássemos um casamento sem imprevistos, pois sabemos que num evento desta dimensão podem surgir alterações, atrasos ou situações inesperadas. Escrevemos porque, olhando para todo o percurso desde a contratação até ao próprio dia do nosso casamento, a nossa experiência com a assessoria do dia e celebração da MaxiDream foi extremamente negativa e, pelo conjunto do que vivemos, não recomendamos este serviço.
Contratámos a MaxiDream a 30 de setembro de 2024, quase dois anos antes do nosso casamento, realizado a 24 de julho de 2026.
Foi o último fornecedor que contratámos e, nessa altura, os nossos principais fornecedores já estavam escolhidos e contratados diretamente por nós, nas primeiras conversas, a própria MaxiDream demonstrou surpresa pelo nosso nível de preparação e pelo facto de estarmos tão adiantados relativamente à data.
O primeiro contacto surgiu para a celebração da cerimónia, a qual foi o primeiro serviço que decidimos contratar, durante a conversa que tivemos com a MaxiDream, explicámos também uma dificuldade concreta: vivíamos fora de Portugal e, embora tivéssemos praticamente toda a estrutura do casamento organizada, precisávamos de ajuda prática para o próprio dia, sobretudo na montagem e decoração da cerimónia e na transferência e reaproveitamento dessa decoração para o interior da sala.
Foi nesse contexto que surgiu a possibilidade de a MaxiDream assumir também essa componente.
Decidimos avançar com uma segunda contratação, distinta da celebração da cerimónia, identificada no contrato como “assessoria do dia”.
Esta distinção é importante, pois nunca procurámos alguém para organizar todo o casamento de raiz; essa parte já estava feita, o que precisávamos era de alguém em Portugal em quem pudéssemos confiar para nos ajudar, no próprio dia, a concretizar aquilo que preparávamos à distância.
Durante a conversa inicial, sentimo-nos confortáveis com a proposta, à medida que a noiva explicava algumas ideias para a decoração, ouvimos várias vezes que a MaxiDream já possuía determinados materiais, que os poderia emprestar, dispensando-nos de comprar tudo, naturalmente, isso também pesou na decisão de contratar o serviço.
Após a contratação, foi-nos explicado que, tratando-se de assessoria do dia, o trabalho mais intenso ocorreria no ano do casamento, aceitámos e continuámos a desenvolver as nossas ideias, a própria MaxiDream sugeriu à noiva criar e partilhar um espaço no Pinterest, onde pudesse colocar inspirações, ideias e referências, e foi isso que a noiva fez.
Durante esse período, fomos construindo a decoração tendo em conta os materiais que nos tinham dito poderem ser disponibilizados.
A primeira visita ao atelier da MaxiDream aconteceu a 26 de dezembro de 2025, a visita foi importante porque finalmente vimos presencialmente o que estava disponível e percebemos que parte significativa dos materiais não se enquadrava na estética que pretendíamos.
Isso não significou desistir de imediato de utilizar o material da MaxiDream, nas semanas seguintes, tentámos adaptar ideias, encontrar soluções e perceber o que poderia ser aproveitado, pois durante bastante tempo desenvolvemos ideias baseadas no que nos foi dito que estaria disponível.
É natural que dois noivos a preparar o primeiro casamento tenham muitas ideias, alterem algumas e precisem de orientação para transformar inspiração em algo exequível, e foi para isso que procurámos ajuda profissional.
No entanto, nos primeiros meses de 2026 começaram a surgir interações que nos deixaram desconfortáveis, incluindo comentários sobre as nossas escolhas e o material que considerávamos utilizar.
Aqui é importante falar da experiência da noiva, porque foi ela quem viveu algumas situações de forma mais direta, em diferentes momentos tentou falar com a MaxiDream sobre aspetos importantes para ela e sentiu que não estava verdadeiramente a ser ouvida.
Uma dessas situações envolveu uma surpresa que queria preparar para o noivo durante a cerimónia: pretendia que a mãe do noivo fizesse uma oração sem que ele soubesse antecipadamente, tentou abordar o assunto diretamente em duas ocasiões, mas acabou por sentir necessidade de contar a surpresa ao noivo para que o assunto pudesse ser tratado.
Houve também comentários sobre escolhas pessoais da noiva que nos marcaram, quando explicou repetidamente que o vestido era muito grande e seria necessário garantir espaço suficiente no corredor da cerimónia, lembra-se de ouvir que o vestido era grande, “mas não era grande coisa”; noutra ocasião, uma ideia sobre a disposição das cadeiras foi simplesmente qualificada como feia.
Isoladamente, alguém pode considerar estas frases pequenas ou irrelevantes; contudo, para a noiva não foram: ela estava a preparar um dos dias mais importantes da sua vida e algumas dessas escolhas tinham significado emocional particular.
Não esperávamos que uma profissional concordasse com tudo, mas esperávamos que, quando algo não fosse aconselhável, nos ajudasse a encontrar uma alternativa sem nos fazer sentir diminuídos.
Foi também neste período que começámos a desistir da ideia de depender do material da MaxiDream, não foi de um dia para o outro: tentámos adaptar, reaproveitar e encontrar soluções, mas acabámos por comprar cada vez mais elementos próprios.
Apesar da disponibilidade de material ter sido uma das facilidades apresentadas no início, praticamente não utilizámos material da MaxiDream, exceto 12 pequenos castiçais de vidro e uma máquina de bolhas de sabão para a cerimónia.
Continuámos a preparar grande parte da decoração nós próprios e à distância, aproveitando cada ida a Portugal para resolver presencialmente o que não conseguíamos do estrangeiro.
A partir de abril, ao trabalhar com a florista, a nossa confiança na assessoria começou a deteriorar-se de forma mais séria.
A florista com quem trabalhámos foi-nos apresentada pela MaxiDream, não se tratando de alguém externo posteriormente imposto à assessoria, durante a preparação, deixámos claro o que pretendíamos em termos de volume floral.
Existe registo em vídeo de uma conversa onde pedimos que fosse aumentado “um bocadinho mais”, para um resultado “ainda mais encorpado”, mas não dependemos só dessa conversa, por escrito, manifestámos querer as cascatas “cheias” e, quanto às cadeiras, a representante da MaxiDream propôs um reforço adicional de flores, “só para garantir que fiquem bem compostas, bem fechadas”, aceitámos essa proposta e o respetivo custo adicional.
É importante distinguir estes dois elementos, pois as cascatas e o volume das cadeiras eram assuntos diferentes e ambos tinham sido discutidos, pouco antes do casamento, o documento final continuava a descrever os ramos como “bem volumosos” e previa a utilização de rosas artificiais para “encher mais”.
Também estava acordado que as flores maiores seriam distribuídas ao longo das grinaldas, não todas concentradas numa sequência.
Ao longo deste percurso, sentimos cada vez mais falta de iniciativa e acompanhamento espontâneo, era frequentemente necessário sermos nós a perguntar se determinado assunto estava tratado, se a informação tinha sido transmitida, em que ponto estava uma preparação ou se faltava algo.
Quanto mais situações surgiam, mais perguntávamos; quanto mais perguntávamos, maior era a necessidade de documentar; e quanto mais a confiança diminuía, mais começámos nós próprios a verificar o que acreditávamos ter contratado alguém para acompanhar.
Por isso, queremos deixar claro, o nosso controlo nos últimos meses não causou a perda de confiança; foi consequência dela.
Nesta fase, começámos também a recorrer a imagens geradas por inteligência artificial como ferramenta visual.
Vivendo fora de Portugal, nem sempre era fácil explicar por escrito o que tínhamos em mente, e essas imagens ajudavam-nos a comunicar visualmente, nunca esperámos que uma imagem de IA fosse reproduzida ao milímetro.
Quando nos foi explicado que determinada referência exigiria mais flores, material, tempo e mão de obra, aceitámos essa limitação e adaptámos o conceito, depois de apresentarmos uma alternativa baseada nos materiais reais, perguntámos se seria necessário comprar mais alguma coisa e foi-nos dito que “não é preciso mais nada”, e avançámos com base nessa confirmação.
Houve outro episódio que ilustra o acompanhamento que sentíamos: fomos nós a lembrar a MaxiDream que existia um documento da Quinta a ser preenchido e enviado, com informações como o número de convidados, disposição das mesas e elementos de decoração; por nunca termos organizado um casamento e para beneficiar da experiência de quem contratámos, preferimos agendar uma videochamada para preencher o documento com acompanhamento.
No entanto, acabámos por preenchê-lo e enviá-lo nós próprios à Quinta, sem a orientação que esperávamos; para nossa surpresa, poucos minutos depois, recebemos da MaxiDream capturas do documento a indicar vários pontos incorretamente preenchidos.
Foi para evitar isto que pedimos a videochamada e acompanhamento.
Noutra ocasião, recebemos mensagem a informar que a MaxiDream tinha falado com o responsável da Quinta e proposto alteração à disposição das mesas, por considerar que a configuração ficaria menos bem. Foi apresentada nova disposição e percebemos que as restantes mesas vazias não seriam montadas. Nunca tínhamos organizado um casamento e não sabíamos desse procedimento, mas também não fomos previamente informados de que a alteração seria discutida ou proposta.
Isto teve impacto porque já tínhamos material preparado e impresso com base na disposição anterior, definida pela Quinta; depois de analisarmos a nova solução, reconhecemos que era esteticamente melhor e aceitámo-la.
Contudo, a frustração não estava na solução final, mas na comunicação e no facto de só termos sido envolvidos depois da alteração estar discutida, quando já tínhamos material preparado para a configuração anterior.
Mesmo insatisfeitos, mantivemos sempre a relação profissional e cumprimos os compromissos contratuais; o contrato previa pagamento do serviço em três etapas, sendo a última uma semana antes do casamento.
No entanto, a 10 de julho, duas semanas antes do casamento, a MaxiDream pediu que fosse feito o pagamento final; aceitámos o pedido e liquidámos nesse dia tudo o que estava acordado.
Fazemos questão de mencionar isto não pelos valores, mas porque mostra que, mesmo com a confiança no serviço já afetada, cumprimos a nossa parte até ao fim e antecipámos inclusive o pagamento final.
Poderá surgir a pergunta: se já não confiávamos plenamente no serviço, porque continuámos? A resposta está no próprio contrato; a rescisão por iniciativa dos noivos exigia pré-aviso de 60 dias e os valores já pagos não seriam devolvidos.
À medida que o casamento se aproximava, terminar a relação significava ainda encontrar alguém que pudesse substituir um prestador com meses de informação sobre um casamento organizado a partir do estrangeiro.
Por isso optámos por continuar e tentar reduzir o risco através de acompanhamento cada vez mais próximo da nossa parte; continuar não significava que a confiança tivesse sido recuperada, pelo contrário.
Entretanto, houve outra situação com impacto particular na noiva: os votos da noiva não se limitavam ao noivo; a noiva queria começar por ele, passar também pelas pessoas que faziam parte da história de ambos e terminar novamente nele.
Quando explicou a ideia, sentiu que lhe foi transmitido que os votos deveriam ser exclusivamente de um para o outro e que o que pretendia devia acontecer noutro momento; por consequência, ela deixou de se sentir confortável com o que tinha preparado e decidimos não fazer votos.
Comunicámos essa decisão por escrito quase um mês antes do casamento e pedimos que fossem retirados do alinhamento.
Em julho, voltámos a ser questionados sobre o envio dos votos, e ao lembrar que já tínhamos comunicado que não os faríamos, recebemos como resposta: “Desculpa, não me lembrava”, mais uma situação em que algo que acreditávamos encerrado voltou até nós.
Ficámos também a saber que parte da montagem física da cerimónia, incluindo a colocação das cadeiras, seria assegurada pela própria Quinta, e para a decoração interior, foi necessário trabalho adicional da florista, com um custo adicional que aceitámos.
À medida que essas tarefas foram assumidas por outros e que nós próprios adquirimos praticamente toda a decoração, a realidade do serviço inicialmente imaginado foi mudando substancialmente.
Chegámos então aos últimos dias.
A 21 de julho, três dias antes do casamento, recebemos o alinhamento do dia ainda como uma “proposta”.
O que recebemos continha apenas horários básicos, como a hora da maquilhagem e do penteado da noiva e a chegada do noivo à Quinta; ao analisar o documento, percebemos que ainda faltava informação operacional fundamental a três dias do casamento, informaçoes tais como, onde a noiva se iria vestir, onde o noivo se iria preparar, quem integrava o cortejo, quem entraria com quem na cerimónia e outros elementos necessários para coordenar o dia, tivemos de pedir alterações e esclarecimentos antes de o documento ser partilhado com os restantes profissionais.
Pouco antes do casamento, estivemos presencialmente com a MaxiDream e aconteceu uma situação que, para nós, resume muito do que vinha a acontecer.
Desde abril que o reforço das cadeiras estava definido, a representante da MaxiDream tinha proposto mais flores para garantir que as cadeiras ficassem “bem compostas, bem fechadas”, proposta que aceitámos e pela qual suportámos o custo adicional.
Nunca houve dúvida de que esse reforço dizia respeito às cadeiras; no entanto, a três dias do casamento, percebemos presencialmente que estava a ser interpretado como correspondendo às cascatas, tivemos de recorrer aos nossos próprios registos e mostrar o vídeo da conversa anterior para esclarecer o que tinha sido definido meses antes, presencialmente, entre a florista, a MaxiDream e o noivo.
Não estávamos a alterar uma decisão a três dias do casamento, mas a usar um registo nosso para demonstrar o que já estava acordado.
Nesse período recebemos também o documento final de decoração e voltámos a reforçar vários pontos, incluindo o aproveitamento máximo das flores; pedimos ainda que, no próprio dia, fosse feita primeiro uma mesa, para podermos ver e confirmar o resultado antes de serem feitas as restantes.
Na noite anterior ao casamento, recebemos ainda uma mensagem sobre o placar da distribuição das mesas, assunto já tratado por nós e que, dias antes, tínhamos informado que iríamos assumir.
E então chegou finalmente o dia 24 de julho de 2026.
Chegámos à Quinta por volta das 08h00 e, depois de quase dois anos de preparação, grande parte dela feita a partir do estrangeiro, aquilo que mais queríamos naquela manhã era finalmente deixar de organizar o casamento e começar simplesmente a vivê-lo, mas infelizmente, não foi isso que aconteceu.
Logo à chegada, tivemos de intervir relativamente à disposição e ao número de cadeiras da cerimónia; a mesa preparada também não era aquela que tínhamos definido: encontrámos uma mesa de madeira com cadeiras, quando tínhamos previsto uma mesa branca, colocada na diagonal e sem cadeiras, uma vez que a cerimónia seria realizada em pé, pelo que tivemos de explicar no local aquilo que estava previsto.
Para além disso, existia um arranjo floral que deveria ter sido colocado no chão, junto à mesa da cerimónia, e esse elemento nunca chegou a ser colocado; já dentro da sala tivemos igualmente de esclarecer a disposição das mesas.
Não sabemos em que ponto específico falhou a transmissão de cada uma destas informações e não pretendemos atribuir responsabilidades a terceiros sem saber exatamente onde ocorreu a falha; aquilo que sabemos é aquilo que vivemos e, na manhã do nosso próprio casamento, estávamos novamente envolvidos em questões operacionais que acreditávamos já estarem tratadas.
A decoração floral foi também uma das questões que tivemos de gerir durante a própria manhã do casamento; enquanto a noiva se preparava no quarto da Quinta, a representante da MaxiDream foi ter com ela por duas vezes para lhe mostrar como estava a ficar a decoração e, em ambas as ocasiões, a noiva manifestou que continuavam a faltar flores e chamou também a atenção para o facto de as velas LED não estarem colocadas nos locais que tinham sido previamente combinados e discutidos no grupo.
Mais tarde, quando o noivo chegou à Quinta e viu pessoalmente a decoração, manifestou também a sua insatisfação, porque o volume floral não correspondia ao que tinha sido acordado.
Este ponto é particularmente importante porque não se tratava de uma expectativa criada naquele momento; o volume das flores tinha sido discutido antecipadamente e, relativamente às cadeiras, a própria MaxiDream tinha proposto um custo adicional para aumentar o volume floral, proposta que aceitámos e pagámos, ainda assim, esse aumento de volume não estava refletido na decoração que encontrámos no dia do nosso casamento.
Quando o noivo manifestou essa insatisfação, a representante da MaxiDream explicou-lhe que estava vento desde manhã e que isso não tinha ajudado, acrescentando que a florista tinha ido buscar mais flores.
No entanto, essas flores adicionais que nos foram ditas terem sido procuradas nunca chegaram a ser visíveis para nós na decoração e, apesar de termos chamado a atenção para a falta de flores várias vezes durante a própria manhã, o resultado final continuou sem apresentar o reforço de volume que tinha sido anteriormente discutido, aceite e pago.
Isto não resultava de chegarmos naquele dia e decidirmos subitamente que queríamos mais flores; as nossas expectativas relativamente ao volume tinham sido discutidas antecipadamente e, especificamente no caso das cadeiras, tinha sido proposto pela própria representante da MaxiDream um reforço adicional, com um custo também adicional, precisamente para aumentar esse volume.
Na mesma manhã surgiu ainda a questão das pistolas de bolhas que tínhamos comprado, quando fomos informados de que não tinham pilhas, nós próprios não sabíamos que funcionavam com pilhas e, se soubéssemos, teríamos naturalmente levado as necessárias, até porque tínhamos comprado uma quantidade considerável para as nossas velas LED.
Quando entregámos antecipadamente o material, tinha-nos sido transmitido que seria verificado e, se nessa verificação nos tivessem informado de que as pistolas necessitavam de pilhas, teríamos simplesmente resolvido o assunto antes do casamento.
Posteriormente ficou claro que existiam interpretações diferentes relativamente a quem deveria ter assegurado essa questão, pelo que não apresentamos este episódio como o problema central da nossa experiência; mencionamo-lo porque representa mais uma questão operacional que chegou aos noivos poucas horas antes da cerimónia.
Pouco depois começou a cerimónia, sendo importante recordar que a celebração da cerimónia era o outro serviço que tínhamos contratado à MaxiDream, distinto da assessoria do dia.
Durante a celebração, um casal de convidados que falava inglês chegou atrasado e entrou discretamente; existia uma versão inglesa do guião e, enquanto a nossa história estava a ser contada, a cerimónia foi interrompida para chamar um elemento da equipa e pedir-lhe que entregasse esse documento aos convidados.
Nesse momento, esse mesmo elemento encontrava-se a falar ao telefone durante a cerimónia, num tom de voz suficientemente alto para ser ouvido; a celebração acabou por parar e nós olhámos um para o outro sem perceber o que estava a acontecer.
Na nossa opinião, existiam outras formas de entregar discretamente aquele documento sem interromper aquele momento e, até hoje, continuamos sem compreender essa decisão.
A questão dos votos, que pensávamos estar definitivamente encerrada, voltou também a surgir durante a própria cerimónia, apesar de termos comunicado por escrito, quase um mês antes, que não faríamos votos e de essa decisão ter sido confirmada, fomos inesperadamente questionados sobre se, já que não tínhamos votos, queríamos dizer alguma coisa um ao outro.
Não estava combinado, não estávamos preparados e acabámos por ter de improvisar naquele momento.
Depois de tudo isto, ficou-nos também uma questão relativamente à equipa presente no casamento, no início compreendíamos perfeitamente a necessidade de várias pessoas, porque estavam previstos trabalhos de montagem, movimentação da decoração e desmontagem, mas essa realidade mudou significativamente ao longo dos meses: a Quinta acabou por assegurar grande parte da montagem física da cerimónia e, para o trabalho floral no interior, foi contratado trabalho adicional da florista.
Na nossa última videochamada antes de viajarmos para Portugal, foi-nos comunicado que um terceiro elemento da equipa da MaxiDream estaria presente apenas a partir do jantar para ajudar na “desmontagem”; no entanto, três dias antes do casamento já estava definido que o material da MaxiDream efetivamente utilizado por nós seria apenas 12 pequenos castiçais de vidro e uma máquina de bolhas de sabão.
Não afirmamos que esse elemento da equipa não tenha feito absolutamente nada, porque não acompanhámos cada minuto do trabalho de cada profissional; contudo, aquilo que podemos afirmar é que apenas o vimos a partir da hora do jantar e, até hoje, não conseguimos identificar concretamente qual foi a função desempenhada na desmontagem que justificava essa presença.
As refeições do staff estavam incluídas no número de pessoas suportado por nós junto do espaço e a equipa comunicada pela MaxiDream correspondia a três pessoas, a nossa questão não é pessoal, é exclusivamente profissional: quando uma equipa de três pessoas é apresentada como necessária à prestação de um serviço, consideramos legítimo, enquanto clientes, querer perceber qual foi efetivamente a função desempenhada por cada elemento.
Depois do casamento, percebemos também que material nosso que tínhamos entregue antecipadamente, nomeadamente os tubos LED previstos para a festa, não tinha sido utilizado e não estava nas nossas caixas.
Quando perguntámos, foi-nos dito que os tubos tinham sido deixados junto à cabine do DJ e até hoje continuamos sem os ter recuperado; não afirmamos que a MaxiDream tenha perdido os tubos, porque não sabemos o que aconteceu depois de terem sido deixados naquele local; aquilo que podemos afirmar é simples, entregámos o material, não foi utilizado e não voltou para nós.
Também existiram divergências relativamente a outros acordos verbais e aqui reconhecemos uma aprendizagem da nossa parte, porque muitas coisas foram discutidas presencialmente ou em videochamadas e não deixámos tudo registado por escrito.
Confiámos que a palavra dada seria suficiente e, depois desta experiência, com certeza faríamos diferente, porque quando posteriormente surgem interpretações diferentes sobre aquilo que foi acordado verbalmente, torna-se extremamente difícil demonstrar o conteúdo dessas conversas.
Posteriormente recebemos também comentários de alguns convidados sobre comportamentos da equipa que os deixaram desconfortáveis durante o casamento, nomeadamente conversas telefónicas em voz alta e linguagem que consideraram inadequada.
Relativamente à representante da própria MaxiDream, alguns convidados comentaram connosco no dia seguinte que tinham ficado surpreendidos com a forma como se tinha integrado entre os convidados durante a festa, incluindo sentar-se às mesas a conversar sobre assuntos pessoais e participar em momentos de dança.
Não fazemos qualquer julgamento sobre alguém dançar num casamento por si só; aquilo que nos causou estranheza foi termos recebido espontaneamente estes comentários dos nossos próprios convidados relativamente a alguém que estava presente naquele momento enquanto prestadora de um serviço.
E é precisamente olhando para todo este percurso que chegamos à nossa conclusão.
Não esperávamos perfeição, porque uma flor fora do lugar, uma pilha esquecida, uma cadeira errada, uma frase infeliz ou um esquecimento, isoladamente, nunca justificaria uma avaliação como esta.
O problema foi a acumulação: começámos esta relação confiantes e terminámos a sentir necessidade de verificar cada vez mais; sentimos falta de acompanhamento espontâneo; a noiva sentiu, em vários momentos, que não estava verdadeiramente a ser ouvida; fomos documentando progressivamente mais porque já não nos sentíamos confortáveis em assumir que decisões anteriores estavam corretamente acompanhadas; a três dias do casamento ainda tivemos de recorrer aos nossos próprios registos para esclarecer algo definido meses antes; recebemos o alinhamento do dia ainda como “proposta” três dias antes; chegámos às 08h00 da manhã do nosso casamento e voltámos a tratar de cadeiras, da mesa da cerimónia, da disposição das mesas; continuaram a chegar-nos questões operacionais poucas horas antes da cerimónia; a cerimónia foi interrompida; a questão dos votos voltou a aparecer depois de ter sido expressamente retirada e terminámos o casamento ainda com material nosso por recuperar.
Talvez seja precisamente por vivermos fora de Portugal que esta experiência nos tenha marcado tanto, porque foi exatamente por causa dessa distância que contratámos uma assessoria do dia.
Precisávamos de preparar tudo antecipadamente, transmitir aquilo que pretendíamos e poder confiar que existiria alguém no terreno a acompanhar aquilo que nós não podíamos acompanhar presencialmente durante meses.
Não queríamos alguém que organizasse o nosso casamento por nós; queríamos alguém que nos permitisse, quando finalmente chegasse o dia, deixar de o organizar.
Depois de meses a preparar detalhes a partir de outro país, de aproveitar cada deslocação a Portugal para resolver presencialmente aquilo que conseguíamos, de comprar e preparar o nosso próprio material e de transmitir cada vez mais informação, aquilo que mais queríamos no dia 24 de julho era finalmente largar essa responsabilidade e chegar e ser simplesmente os noivos.
Mas, à medida que o casamento se aproximava, aconteceu precisamente o contrário: sentíamos cada vez mais necessidade de perguntar, confirmar, documentar e verificar e, no próprio dia, continuámos envolvidos em questões que acreditávamos já estarem tratadas.
Para qualquer profissional que trabalhe no setor dos casamentos, cada evento será inevitavelmente um entre vários realizados ao longo da sua atividade, mas para os noivos não é assim.
Para os noivos, aquele pode ser o único casamento das suas vidas e o nosso aconteceu no dia 24 de julho de 2026.
Não havia uma segunda oportunidade para repetir aquela manhã, aquela cerimónia ou aquele dia.
Não esperávamos perfeição; esperávamos preparação, atenção, iniciativa e, acima de tudo, poder deixar de organizar o nosso casamento para finalmente o viver.
Foi essa tranquilidade que procurámos quando contratámos a assessoria do dia e foi precisamente essa tranquilidade que não tivemos.
É pelo conjunto de toda esta experiência, e não por um episódio isolado, que não recomendamos o serviço de assessoria e do dia e celebração da MaxiDream.