O casamento de Tony e Thalita em Colares, Sintra
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T&T
18 Jul, 2025A crónica do nosso casamento
Sempre achei que casamento era nada mais do que uma festa cara. Sempre dizia que faria algo simples — ou simplesmente nada. Não via sentido em gastar dinheiro com uma festa de um dia quando podia usar aquele mesmo valor para viajar ou comprar um carro.
Quando o Tony me pediu em casamento, continuei com o mesmo discurso. Dizia para todos que não faríamos nada de especial. Primeiro, porque havíamos acabado de comprar uma casa e o dinheiro estava apertado. Segundo, porque nenhum de nós é daqui. Eu sou brasileira, o Tony é americano. Nos conhecemos na Austrália e decidimos partir juntos numa nova aventura: mudar para Portugal — o lugar que conquistou os nossos corações.
Quem mora fora sabe que a vida é um misto de sentimentos. É claro que é delicioso conhecer pessoas do mundo todo, viajar e ver lugares incríveis, mas a saudade de casa e a distância são obstáculos duros. E isso aperta ainda mais em momentos-chave da vida. É difícil estar longe e acompanhar o batizado dos sobrinhos pelo Instagram ou o aniversário da vó por uma videochamada. Nada neste mundo substitui o contato físico com quem a gente ama.
Continuar a ler »Depois de muita conversa, resolvemos fazer “um casamento pequeno” em Portugal. Nós dois tínhamos essa vontade de mostrar nossa casa. Queríamos que a família e os amigos de fora entendessem por que escolhemos viver aqui. O fato de sermos de famílias que adoram viajar definitivamente ajudou na decisão. Não foi nem um pouco difícil convencer as pessoas a virem para um casamento em Portugal.
Sempre gostamos muito de história e natureza, então Sintra foi a decisão mais óbvia. Começamos a visitar quintas na região. Acho que chegamos a ver pelo menos uns oito espaços diferentes. No início, tudo parecia muito difícil e caro. Muitas quintas cobravam apenas pelo aluguel do espaço (sem incluir catering, decoração ou outros serviços). Nosso orçamento era apertado e queríamos convidar poucas pessoas, então nada disso fazia muito sentido.
Até que um dia visitamos a Quinta do Pé da Serra, em Colares. Aquele espaço é, simplesmente, a representação perfeita de tudo o que eu e o Tony associamos com Portugal: história, cultura, tradição — e também uma natureza exuberante. Da parte mais alta da quinta, vê-se a serra de Sintra. Com sol e um pouco de sorte, até o mar. É uma vista verde, com um ar fresco incomparável. Voltamos para casa e já mandamos um e-mail. Nem pensamos muito. Nosso casamento seria ali.
Não vou me alongar na descrição dos preparativos, porque é a parte mais entediante do relato. Assim que decidimos a data do nosso grande dia (depois de várias "pesquisas de opinião" com a família para descobrir quando todos podiam tirar férias), começou a maratona de encontrar fornecedores. Graças ao casamentos.pt, encontramos tudo o que precisávamos. Foi aqui que tive a ideia de contratar um músico para tocar fado instrumental na cerimônia; foi aqui que encontrei fotógrafos com o estilo exato que buscava — registros espontâneos e cheios de vida. Contratei a Licor Beirão para fazer lembrancinhas com a cara de Portugal. Achei a maquiadora perfeita. O casamentos.pt foi um divisor de águas para mim, que sou de fora e não tinha nem a quem pedir recomendações. Poder ver o portfólio dos profissionais, mandar mensagens, agendar reuniões e fazer escolhas bem informadas foi o que tornou possível planejar tudo com eficiência.
Mas é claro que houve estresse, certo? Como noiva, estava super preocupada com detalhes pequenos. Passei horas pensando no recheio perfeito para o bolo, pesquisando a diferença entre grinaldas, olhando opções de papel para os menus das mesas. Com a data se aproximando, o noivo fazia o que podia, mas eu não conseguia evitar a ansiedade e aquela necessidade de controle. Queria que tudo saísse exatamente como imaginei. Isso, somado ao fato de que a lista de convidados só crescia (quando disse que queria um casamento pequeno, esqueci que o noivo vem de uma família numerosa), me deixava um pouco desesperada para que tudo desse certo.
Sabe qual o pior conselho que você pode dar a uma noiva? "Não se estresse! Vai dar tudo certo!" Falar isso para uma noiva é como dizer a um bebê para não chorar. Impossível! Toda noiva vai se estressar — umas mais, outras menos. Mesmo as mais desapegadas vão ter expectativas. Mesmo as que contratam wedding planner vão sentir ansiedade. É o que é. Meu melhor conselho para uma noiva? Organize bem suas tarefas. Faça listas. E, principalmente, delegue. Você não precisa carregar o mundo nas costas. Peça ajuda quando for preciso e não se apegue tanto aos mínimos detalhes. No dia, você vai perceber que nada disso realmente importa.
E realmente, no dia do meu casamento, eu nem pensei no recheio do bolo ou na grinalda que usava no cabelo. Para falar a verdade, nem consegui escutar bem a música que o querido Tiago, da Wedding Guitar, tinha ensaiado para minha entrada. Quando vi aquele mar de pessoas queridas, que atravessaram oceanos para celebrar conosco, todas sorrindo para mim… senti como se estivesse voando sobre as nuvens. Sabe aqueles momentos em que o tempo para e você escuta o silêncio? Como se não houvesse nada além daquele exato segundo? Um intervalo entre dois instantes em que tudo flutua no ar. Não sei nem se lembro direito da cerimônia — mas, ao mesmo tempo, lembro de tudo. É estranho mesmo.
Lembro do meu noivo chorando de um jeito que nunca tinha visto antes — anos de relacionamento passando pela cabeça dele na hora de ler os votos. Lembro do olhar carinhoso da minha irmã quando pegou meu bouquet. Lembro de como estava ventando muito, e de como isso provocou risadas quando tentamos acender as velas do nosso ritual.
Lembro de nunca ter me sentido tão feliz quanto quando a celebrante nos declarou casados. Dos sorrisos. Das lágrimas de alegria das mães. Das pétalas de rosa espalhadas no chão de terra da Quinta.
A cerimônia foi realizada no jardim do espaço. Casar em meio às árvores centenárias foi o maior presente que eu poderia ter recebido. Aquelas árvores, que guardam memórias de tantos amores, foram as maiores testemunhas do nosso "sim".
Dizer que foi um dia perfeito é desnecessário. Prefiro contar por que foi um dia imperfeito:
A malta do insuflável que contratamos para os miúdos montou o castelinho no sítio errado e teve que desmontar e montar tudo de novo. Minha madrinha esqueceu onde tinha colocado as cestas de pétalas e tivemos que improvisar. Meu cabelo ficou preso no botão do terno do noivo na hora da dança dos noivos. Um convidado quebrou um copo durante a festa. O cabelo da minha mãe praticamente desmoronou antes mesmo do jantar.
Os pequenos imprevistos foram se acumulando. E eu ria.
Ria o tempo todo. Ria de mim mesma, da minha preocupação exagerada, de todo o controle que achei que tinha. Depois de um ano de ansiedade, o universo deu um jeito de me mostrar que eu não controlava nada. Ria porque, no fundo, percebi que os detalhes não importam. Ria dos convidados que, com alguns copos de vinho a mais, já estavam falando asneiras. Ria porque estava ali, vivendo aquele momento, sabendo que ele não voltaria mais. Queria poder guardar aquele dia numa caixinha e revisitá-lo sempre que quisesse. Aquelas pessoas todas estavam ali por nós — e nenhuma delas se importava com o recheio do bolo ou com a cor dos centros de mesa.
A vida acontecendo, do jeitinho que tem que ser. Eu ria porque aquele foi o casamento mais imperfeito e, ao mesmo tempo, mais perfeito que eu poderia ter pedido a Deus.
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